CANÇÃO DA MINHA SEGUNDA INTERNAÇÃO
A vida foge pela floresta azul de Diazepan
Decepam membros alguns são negros
Outros tão brancos que quase transparentes
Outros ainda dando cabeçada na parede
Alguns tremendo feito bambu ao vento
Toda flora do encantamento no jardim
Alguma cobra passeia pela soleira de estrelas
Lá fora é perigosa a vida dos elefantes
Aqui dentro ainda não tiraram o meu marfim
E tudo é tão acéptico: tão forte é a fome
Que preparo um cavalo assado em seu galope
Crinas e crinas e galopam ferozes no fogo
Tudo é fogo e aqui não é um inferno ainda
O inferno chega com as baionetas
Nutridas por alguma dose de algum remédio
Pode ser a haldoperidona
Pode ser que venha um padre com sua hóstia
Pode ser que seja a hora da morte
Mas nunca acaba e vem um novo dia
Tudo queima inclusive eu
Os que não queimam estão de branco
Há bancos por todos os lados
Os bancos estão sentados nos loucos
Os cigarros fumam os loucos
A comida come os loucos
A bebida bebe os loucos
E vomita no cemitério mais próximo
Escrito por Rodrigo de Souza Leão às 18h47
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