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lowcura


 

O BRANCO

 

Muito marfim. Esporra. Nuvem. Branco sobre branco. Um quadro de Picasso. Neve. Uma tela de computador em branco. Um grão de areia da praia W. Branco sobre branco. A pele caucasiana de virgens francesas. O branco dos olhos. Do dente. Do pâncreas. Da extremidade das unhas. O branco da barriga da baleia. Do urso polar. Branco sobre branco. Açúcar. Cocaína. Mármore. Todo o branco do mundo. Toda população branca. A tecla branca do piano. A teta branca. O branco das rosas. Das tulipas. Da mortalha. Do algodão. O peão do jogo de xadrez. Branco do banco branco. Onde sentada, as ancas brancas expelem cupidos brancos anjos de asas brancas. Da pele branca da cor de santo. O branco das garças. De algumas gaivotas que comem o infinito e mastigam o branco dos cabelos da aurora. O branco das galáxias. O branco que não tem nada a dizer. O branco da memória. O branco da história. O muro branco. O elefante branco. O rinoceronte branco. A cobra branca. Os albinos. O branco das noivas. Das lápides. Do lápis. Do cavalo branco. Do ramster. O álbum branco dos Beatles. O terno branco do pai de santo. Cocada. O branco do luto. Da vaca branca. Da magia. O branco da pelúcia do boneco. Ouro branco. Diamante branco. A casa branca. Branca de neve. O origami branco. O branco dos neurônios. Velas acessas. Cera. Sírios. A guitarra branca de Jimmy Hendrix. O branco dos médicos. Da enfermeira. Da camisa de força. O branco das bombas nucleares. O cogumelo branco. As espumas das ondas. Milk shake de baunilha. Pão branco. O branco da folha de papel. O branco das zebras negras. O branco do cordão umbilical explode em várias cores. Nasce o negro também. O negro das zebras brancas... Tudo sendo engolido por um buraco negro. Tudo sendo regurgitado. O branco do leite. Do vomito.



Escrito por Rodrigo de Souza Leão às 13h18
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SÍNDROME DO PÂNICO

Ele tem uma vista tão bonita

Mas não vai à varanda

 

Ele tem os sapatos mais bonitos

Mas nunca ninguém os viu

 

Teve gente que nasceu e ele

Não foi ver seu filho recém nascido

 

Ele está tão grudado em si como um xipófago

De si mesmo

 

Só espera algo de si mesmo

Mas não sabe sobre o amanhã

 

Se apaixonou algumas vezes e isso não o mudou

Só quando os vizinhos notaram é que soube

 

Que estava morto há alguns dias dentro da banheira

Coberto pelo sangue de uma baleia que ali encalhou

 

E junto com a baleia um pato de borracha

O mesmo que brincou na infância

 

O mesmo que seu filho agora quer brincar

Na ilha que seu pai deixou de herança de si

 



Escrito por Rodrigo de Souza Leão às 13h15
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ÀS VEZES

Às vezes eu tenho vontade de fumar e fumo. Às vezes eu tenho vontade de comer e como.

Às vezes eu tenho vontade de você e nada.

 

Nenhuma mão vem me acudir no pesadelo.

 

Existe um desfiladeiro entre mim e você. Existe um foguete espacial. Sondas e satélites e bombas.

 

Às vezes tenho vontade de morrer e cuspo pro alto para não sujar ninguém, só a mim. É quase a mesma coisa.

 

Todo o dia os mesmos remédios e a melancolia melando a cueca do dia a dia. Um certo cheiro de merda que me vicia. Aqui então tudo é todo o dia. Assim sempre. 



Escrito por Rodrigo de Souza Leão às 14h02
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http://www.azul.art.br/papelpinel/

o vírus da cura

a pílula abortiva

de toda a inteligência

 

el virus de la cura

la píldora abortiva

de toda la inteligencia

tradução Pedro Gonzalez



Escrito por Rodrigo de Souza Leão às 13h22
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AINDA BEM

 

Hoje em dia, quando alguém está doente, a família chama a polícia.

 

A polícia vem e bate um papo com o cara. Se for preciso, colocam a camisa de força.

 

Eu não tinha como resistir: eram três tiras mais fortes do que eu.

 

Eles me levaram junto com o meu irmão. Acharam que eu não tinha nada, mas meu pai sentia um medo danado que eu fizesse alguma loucura

 

Mas eu era um perigo só para mim mesmo.

 

Do meu começo podia sair o fim, mas eu não quero rimar pobre com nobre em versos de impacto, só quero um pacto entre mim e você.

 

Eu jamais poderia dizer que só faria mal a uma mosca. Eram centenas e centenas delas, e matei algumas por prazer.

 




Escrito por Rodrigo de Souza Leão às 13h01
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http://www.museuimagensdoinconsciente.org.br/

QUÍMICA CEREBRAL

 

Bom dia Lexotan

Bom dia Prozac

Bom dia Diazepan

Bom dia coquetel

Bom dia amplictil

Bom dia fenergan

Bom dia sossega-leão

Bom dia eletrochoque

Bom dia Piportil

Bom dia Lorax

Bom dia Litium

Bom dia Haldol

 

Boa noite Rodrigo

 



Escrito por Rodrigo de Souza Leão às 21h33
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IGUAL

 

Hospícios são lugares tão bonitos

Lembram os cemitérios

 

Remédios azuis são tão ingênuos

Lembram alguns internos

 

Há ladeiras e um grande degrau

E flores e gente e muita gente

 

Muita gente gritando comigo

Como se só eu pudesse ouvir

 

Todo aquele pedido de vida

 

 



Escrito por Rodrigo de Souza Leão às 12h40
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mente

 

prisão maior que eu

do tamanho do mundo

 

prisão maior do mundo

do tamanho de mim

 



Escrito por Rodrigo de Souza Leão às 12h25
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