SÍNDROME DO PÂNICO
Ele tem uma vista tão bonita
Mas não vai à varanda
Ele tem os sapatos mais bonitos
Mas nunca ninguém os viu
Teve gente que nasceu e ele
Não foi ver seu filho recém nascido
Ele está tão grudado em si como um xipófago
De si mesmo
Só espera algo de si mesmo
Mas não sabe sobre o amanhã
Se apaixonou algumas vezes e isso não o mudou
Só quando os vizinhos notaram é que soube
Que estava morto há alguns dias dentro da banheira
Coberto pelo sangue de uma baleia que ali encalhou
E junto com a baleia um pato de borracha
O mesmo que brincou na infância
O mesmo que seu filho agora quer brincar
Na ilha que seu pai deixou de herança de si
Escrito por Rodrigo de Souza Leão às 13h15
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