AQUI
Abismo sinto vindo de minha boca
Pitadas de desequilíbrio aqui e ali
Uma queda distante até o chão
Uma queda constante desde o desvão
Do vão central da ponte azul
E aquele infinito todo rugindo
Impropérios fartos de falsa dicção
Trovões que abrem o céu em mil
Caindo ainda estou sempre
Não peço nada para mim nem para ninguém
Quero o exato ato de cair e o frio
Na espinha que comicha toda
Só o deserto me alegra tanto quanto ela
Abre os braços para as palavras que virão
Para o soco a dor o coração
Tudo deixou de ser pra ser eterno
Não sei se estou no céu ou no inferno
Escrito por Rodrigo de Souza Leão às 13h25
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