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lowcura


 

COGUMELO BOWIE

 

Que eu suma

No meu lume

 

Que eu renasça

No meu estrume

 

Que eu suma

No meu humos

 

Tão volátil

Quanto os fumos

 

E volte o dia

Que o abismo sobrevoe

 

As tesouras plantadas

Por David Bowie

  



Escrito por Rodrigo de Souza Leão às 14h14
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CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

 

Muitas pernas pernas esquisitas pernas de elefantes pernas de lince. Dores na perna na perna de elefante na tromba de  um cordeiro. Muitas faces na face dela. Muitos beijos no beijo que dei e tropecei nas próprias pernas. Mal caí e  me quebrei. Mal parti e me alonguei como o vento que sacode a enseada e os galhos verdes das árvores que vejo do meu quarto parecem tremer de frio. Eu não sei mais muita coisa e sobre o que falar: perdi as pernas e ouço versos deste lugar sem pernas. Onde está o meu corpo morto? Eu diria que este silêncio me confunde nesta tarde sem binóculos. Não posso ouvir o que digo. Não consigo mais levar minhas pernas pra onde quer que eu vá só levo tentáculos enfurecidos e as cascavéis com seus chocalhos perguntam-me onde estamos indo com tanta velocidade. Pernas pra que te quero. Não consigo entrar. Não consigo sair. Me deixe ficar. Parado. Imóvel. Morrível. Aqui onde ninguém possa tropeçar nas minhas pernas.



Escrito por Rodrigo de Souza Leão às 20h07
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Tudo ficou dourado. O céu dourado.

O Cristo dourado. A ambulância dourada.

As enfermeiras douradas tocavam-me com suas mãos douradas.

Tudo ficou azul: o bem-te-vi azul, a rosa azul, a caneta bic azul, os trogloditas dos enfermeiros. Tudo ficou amarelo. Foi quando vi Rimbaud tentando se enforcar com a gravata de Maiakovski e não deixei.

Pra que isso Rimbaud? Deixa que detestem a gente. Deixa que joguem a gente num pulgueiro. Deixa que a vida entre agora pelos poros. Não se mate irmão. Se você morrer não sei o que será de mim. Penso em você pensando em mim.

Rimbaud tudo vai ficar da cor que quiser.

Aqui não dá pra ver o mar. Mas você vai sair daqui.

Tudo ficou verde da cor dos olhos de meu irmão e da cor do mar. Do mar. Rimbaud ficou feliz e resolveu não se matar.

Tudo ficou Van Gogh. A luz das coisas foi modificada.

Enfim me deram uns óculos.

Mas com os óculos eu só via as pessoas por dentro.



Escrito por Rodrigo de Souza Leão às 15h47
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