eu vivo numa bomba relógio circular
numa eterna paranóia
vestido de militar
meu coturno já deu muito chute na bunda
e precisa ser engraxado
por algum cagão corcunda
aqui mesmo em minha mão de cemitério
tem um nó de presídio
um hospício aéreo
por onde voam gaiolas cheias de pássaros
que comeram e sangraram
feito dente com ácaro
meu sonho é bolinar o silêncio com dinamite
provar que deus existe
antes que alguém revide
com um ato de ataque de quem nunca atacou
e morreu de enfARTE
diante de um computador
Escrito por Rodrigo de Souza Leão às 13h53
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